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Alma de Tom Jobim canta outros autores |
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| O Estado de S. Paulo - 06 / 01 / 2010 |
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No próximo dia 25, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim completaria 83 anos. Como sempre, a data serve para atestar a perenidade da importância de Tom para o cancioneiro popular nacional, como se seu baú de composições e gravações fosse uma espécie de manancial inesgotável de genialidade. A prova da vez é Minha Alma Canta, disco lançado pela Biscoito Fino, em que ele interpreta músicas não suas, mas de outros autores.
O projeto surgiu há algumas décadas graças ao importante trabalho de preservação da música brasileira capitaneado por Almir Chediak (1950-2003). No fim dos anos 80, o produtor musical, compositor e violonista deu início à elaboração de songbooks que se tornaram - até hoje - referência para qualquer estudante de música que quisesse se aventurar a tocar em casa a obra de grandes compositores nacionais. Além de tentarem decifrar as cifras e partituras de nomes como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Noel Rosa, Ary Barroso, Carlos Lyra, Dorival Caymmi, Edu Lobo, entre outros, os aprendizes podiam também ouvir as canções, que ganharam na ocasião registros antológicos em discos.
De todas as participações separadas de Tom Jobim nos songbooks desses compositores, surgiu a ideia de sua mulher Ana e de seu filho Paulo de reunir os registros em um único CD. O resultado é um álbum que compila a obra de outros autores com a sofisticação das harmonias do piano de Tom.
Do primeiro dos songbooks foram pinçadas gravações que Jobim fez de dois clássicos de Noel Rosa, Três Apitos e João Ninguém. Do seguinte, de seu parceiro mais representativo, Vinicius de Moraes, foram escolhidas cinco faixas: Janelas Abertas, por Gal Costa, Chega de Saudade, com o mesmo e batido arranjo de sempre, Sem Você, cantada de maneira singular por Chico Buarque, Por Toda Minha Vida, com participação de Paula Morelenbaum, e É Preciso Dizer Adeus, cuja interpretação de Gal Costa não chega aos pés da gravação feita por Edu Lobo e Tom Jobim, em 1981, no disco Edu&Tom.
Outra composição de Vinicius, só que extraída do songbook do parceiro Carlos Lyra, incluída em Minha Alma Canta é Samba do Carioca, em que Tom canta acompanhado do coro da Banda Nova. Das composições de Edu Lobo, ambas em parceria com Chico Buarque, as contempladas foram Valsa Brasileira, com Leila Pinheiro, e Choro Bandido, um dos casamentos mais perfeitos entre música e verso na história da música brasileira.
Das referências Ary Barroso e Dorival Caymmi, foram escolhidas duas composições de cada um. Do primeiro, Tom gravou Na Batucada da Vida, que abre o disco, e Pra Machucar Meu Coração, cujo registro de Edu Lobo não deve nada ao antológico lançado por João Gilberto e Stan Getz, em 1964. Do segundo, entraram Milagre, com Leila Pinheiro, e O Bem do Mar, maior destaque do disco, com gravação emotiva de Tom, sua mulher Ana Jobim e o violoncelo de Jacques Morelenbaum. (Lucas Nobile)
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